Moacyr Gomes, Sua obra e o Machadão

28 04 2009

 

 

Ontem, fazendo parte das atividades do aniversário de 40 anos do  CREA-RN, o arquiteto Moacyr Gomes foi convidado a falar sobre sua obra.

Moacyr é um excelente contador de histórias e ele, que participou de grande parte da história arquitetônica dessa cidade, teve muito a contar.Tinha 30 minutos pra falar e tendo ouvidos bem dispostos a ouvir, falou por quase 1 hora e meia. Contou sobre o início da sua trajetória no Rio de Janeiro num período em que acontecia naquela cidade o que acontece hoje, aqui em Natal: uma enorme especulação imobiliária e a exigência cada vez maior de aproveitamentos máximos de área, que, nesse caso, se traduzia em apartamentos minúsculos que tinham por objetivo a obtenção de lucros e pouco interessava a qualidade de vida daqueles que ali estivem interessados em morar. Desmotivado com essa percepção da arquitetura, Moacyr retornou a uma Natal pequenina de onde seria o primeiro, e durante um bom tempo, o único arquiteto. Gostando de trabalhar sempre em equipes, procurou dessa forma, integrar-se inicialmente ao grupo de engenheiros que já atuava na cidade  e, posteriormente, a outros ilustres nomes da arquitetura local como João Maurício e Ubirajara Galvão. O resultado disso foi a construção de boas relações e de uma extensa obra que abrange desde residências a edifícios públicos e privados de diversos usos e entre eles, não pode deixar de falar do Estádio João Machado e de tudo que essa obra, particularmente, representa pra ele.

A emoção é latente em Moacyr ao falar na possibilidade de ver sua obra mais conhecida e utilizada correr o risco de demolição. Desde 2007 a FIFA  tem em mãos um projeto de reforma e ampliação do estádio elaborado pela equipe do arquiteto, visando atender o mesmo objetivo porém numa escala muito menor do que o projeto apresentado propõe. Na minha observação, uma proposta mais condizente, em longo prazo, com a realidade da cidade, observando fatores como, fluxo de veículos e  intervenções urbanísticas e ambientais que a cidade se obrigará a fazer e arcar para viabilizar tais projetos.

A população se vê dividida em relação a tal possibilidade, encantada com a possibilidade de ver o show do futebol e de tudo aquilo de bom que a cidade pode ganhar. Mas e o lado negativo de tais mudanças?

Moacyr faz uma comparação onde afirma que modificar a estrutura funcional de uma cidade definitivamente em nome do desenvolvimento empresarial e imobiliário seria como incentivar a prostituição infantil para favorecer o turismo. Diz: “Me sinto como um pai que vê um filho condenado à morte sem ter cometido crime algum e aguarda a ordem de execução.”.

Eu, enquanto arquiteta, cidadã e admiradora da cidade e de como ela se desenhou, comparo isso aos crimes que aconteceram contra alguns estudiosos, pesquisadores, escritores, que tiveram suas obras queimadas em fogueiras durante a idade média para que não deixassem rastro.

Ao fim da explanação do arquiteto, senti, e acredito que não tenha sido a única entre os presentes, uma tristeza pela luta daquele homem, pelas idéias que defende, lúcida e embasada mente do alto de sua experiência como pessoa e profissional. Senti tristeza pelo desrespeito ao profissional que não foi consultado, pelo desrespeito a sociedade que até hoje não sabe quem pagou (e muito menos quem recebeu) por tais projetos e principalmente, tristeza por estar vendo esse assunto ser levado em “banho-maria” até que saia o resultado da FIFA no dia 21 de maio. Ninguém quer torcer contra a vinda desses jogos pra Cidade e não se vê necessidade de defesa destes Espaços (Estádio e Centro Administrativo) nesse momento. Me pergunto, se depois, qualquer defesa valerá de alguma coisa.

Moacyr Gomes, aos 81 anos, autor de dois dos Planos Diretores que essa Cidade já teve, finalizou a palestra dizendo estar encerrando a carreira e pediu aos que estavam presentes, arquitetos e engenheiros em sua maioria, para trabalharem atentos ao que ocorre com a nossa Cidade e lembrando que, nem sempre as mudanças que ocorrem são para melhor, que qualquer mudança, por menor que seja, implica sérias conseqüências urbanísticas e que tudo deve ser mensurado com muita cautela.

 

Por Manu Albuquerque – Arquiteta Urbanista,   em 28.04.2009

 

Arquiteto MOACYR GOMES DA COSTA

Nasceu em 07 de junho de 1927, em Caicó/RN.

Graduou-se em 05/04/1954 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Rio de Janeiro/RJ. Especializou-se em Planejamento Urbano e Administração Municipal no Rio de janeiro, São Paulo e Pernambuco, tendo como produto final o Plano Diretor do Município de Nazaré da Mata/PE, 1966.

Resumo das principais atividades profissionais:

- Projeto do Complexo Esportivo de Lagoa Nova, Natal/RN, 1953. Obra do Estádio (atualmente denominado Estádio João Machado – “Machadão”) executada no período de 1967/1972 e o Ginásio Poliesportivo (atualmente denominado Ginásio de Esportes Humberto Nesi – “Machadinho”) em 1992;

- Centro de Abastecimento do Distrito Federal, posteriormente denominado – Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara – CADEG, Vencedor do Concurso de Projeto em parceria com o Arquiteto Vigor Artese, Rio de Janeiro, 1957;

- Projeto do Instituto de Educação do Município de Mossoró, Mossoró/RN, 1957;

- Projeto do Cine Teatro CID, Mossoró/RN, 1957;

- Projeto do Instituto de Educação do Município de Caicó, Caicó/RN, 1957;

- Faculdade de Odontologia da UFRN, Natal/RN, em 1965;

- Projeto da Central de Abastecimento de Água, Currais Novos/RN;

- Projeto do Aeroporto da cidade de Currais Novos/RN;

- Elaborou o Plano Diretor Físico-Territorial de Natal – Lei nº 2.211/74;

- Elaborou o Plano Diretor de Organização Físico-Territorial de Natal – Lei nº 3.175/84;

- Projeto de Reforma e Ampliação da Sede do CREA/RN – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Norte, Natal/RN, 1997;

- Projeto do Monumento comemorativo dos 400 anos da fundação da Cidade do Natal, denominado “Pórtico dos Reis Magos”, elaborado com a colaboração do Arquiteto Eudes Galvão Montenegro, Natal/RN, 1999;

- Em parceria com os Arquitetos Daniel Geraldo Gomes de Hollanda e João Maurício Fernandes de Miranda elaborou, dentre outros projetos realizados pela firma PLANARQ – Planejamento Geral em Arquitetura:

- Edifico-sede do IPE – Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do RN, Natal/RN, 1962;

- Edifício-sede do DER/RN – Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, Natal/RN, 1962;

- Edifício Barão do Rio Branco, obra pioneira em edifício comercial em Natal, dotada de galeria ligando dois logradouros públicos, 1964;

- Em parceria com o Arquiteto Ubirajara Galvão, projetou:

- Edifício-sede da Mineração Tomaz Salustino (atualmente, Sede do CREA/RN – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Norte), 1977;

- Edifício-sede dos Órgãos Fazendários da Amazônia, São Luis/MA, 1978/1979;

- Centro Administrativo do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Natal/RN, 1974;

Feitos relevantes:

- Conselheiro-Fundador do CONPLAN – Conselho de Planejamento Urbano do Município de Natal, criado pela Lei nº 2.211/74;

- Professor concursado da cadeira de Arquitetura e Construção Civil da Escola de Engenharia da UFRN, 1967;

- Membro do Conselho Fiscal do IAB/RN, 1977/1979;

Informações complementares:

- Secretário de Planejamento Urbano, Prefeitura Municipal de Natal, 1971/14974;

- Secretário Especial de Planejamento Urbano, Prefeitura Municipal de Natal, 1979/1982;

- Secretário/Coordenador do Grupo Especial do Plano Diretor de Natal, 1982/1984;

- Presidente do IPLANAT – Instituto de Planejamento Urbano de Natal, Prefeitura Municipal de Natal, 1997/1999;

- Secretário Municipal de Urbanismo, Prefeitura Municipal de Natal, 1999/2000.





A VISITA

6 04 2009

E então você me aparece no meio da manhã, enquanto eu, concentrada, desenho ao som de Roberta Sá que canta Paulinho da Viola:

 

Onde estava tanta estrela que eu não via
Onde estavam os meus olhos que não te encontravam
Onde foi que pisei e não senti
No ruído dos teus passos em meu caminho”

 

E ao te olhar nos olhos, sinto exatamente isso… Onde eu andava que não te encontrava, ou, onde estava tua estrela… Será que brilhava e só eu não via?

 

Onde foi que vivi
Se nem me lembro se existi
Longe de você…”

 

E penso em tudo que fiz mudar pra ficar e estar assim “perto” de você…

 

“Ah! Foi você quem trouxe essa tarde fria
E essa estrela pousada em meu peito
Ah! Foi você quem trouxe todo esse vazio
E toda essa saudade, toda essa vontade de morrer de amor.”

 

E então, me responda VOCÊ… Um dia eu saberei o que é VIVER de amor?

.Acaba a concentração.





MEDO DO MEDO QUE DÁ

5 04 2009

“Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo… que dá medo do medo que dá
Medo… que dá medo do medo que dá”  

Miedo – Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

O medo tem me travado,  me tomado,  fechado as minhas portas,  cerrado meu caminho.