Inebriada

10 12 2011

Depois desses dias rápidos e agitados para mim, paro, respiro, transmito.

Inebriada. É como me sinto depois da Exposição Véu em Solo.

Eu, que vivo entre dois mundos, numa terra onde culturalmente muito se cria e pouco se valoriza e incentiva, entre o criar – escrever, poetizar, expressar minha sensibilidade em telas ou palavras e o criar – edifícios,  não os que estão nos meus sonhos (estes são arte pura) mas os que os empreendedores exigem, cheios de não pode, não cabe, e o menos conforto é mais dinheiro – estou, enfim, realizada.

Aquele sentimento de plenitude, tão sonhado, me foi proporcionado por essa experiência de estar com pessoas, artistas e profissionais, criativos, dispostos, objetivos. Vivenciar a produção, conhecer a mágica dos lugares, a história das pessoas, a construção da poesia na mistura dos figurinos de alta costura com os espinhos dos sodoros*…

Conceber, produzir, realizar, divulgar, dentro de um mês um projeto como esse e fazê-lo ser paupável, reconhecido, elogiado.

Vimos no Vernissage uma moça aos prantos de emoção ao fim da exposição em Natal, captando memórias de seu passado talvez, ou quem sabe, reconhecendo um sonho que está no meio de sua construção.

Para mim, que recebi a missão de escrever um texto/verso para cada imagem expressando-as com palavras e meus sentimentos, me vi nestes 30 dias, no silêncio do meu quarto, mergulhada entre trezentas imagens de vida, sofrimento, decepções, sonhos e esperança, entre palavras, rimas e lágrimas.

Vivi a biografia de uma mulher que não existe e ao mesmo tempo a de muitas mulheres em uma só. Uma mãe que perdeu seu filho na mata, uma jovem independente que se liberta em meio de uma família de homens, o florescer de uma paixão, a presença da fé, a necessidade de buscar água entre raízes ou carregá-la em latas dáguas por estradas sem fim, as tarefas corriqueiras do dia à dia, a liberdade e a coragem.

A exposição foi um sucesso, o Coletivo Solares está feliz com o primeiro resultado e eu, ainda estou no sonho dessa mulher que me proporcionou um autoconhecimento tão necessário.

#FELIZ!

*Sodoro é um tipo de cacto, comum em Lajes.

www.facebook.com/ColetivoSolares
(84) 3212-1655 | coletivosolares@gmail.com

A Coragem
A Coragem – Foto de Flávio Aquino




Algodão

6 12 2011

 

{Flores de algodão…

Vi nascer

Da madrugada

Finas, delicadas

Leves, alvas, cálidas

Buquê do Sertão… }

Manu Albuquerque

Foto: Civone Medeiros





O mito

6 12 2011

Foto: Flávio Aquino

“… Seu corpo repousava sobre uma pedra, de braços abertos para o céu, para onde seu espírito já havia seguido. Em cada mão, uma pedra. E no local onde ele repousou, fincou-se uma cruz em sua lembrança. Ali nasceu o mito…”  Fragmento de “O Mito”,  Manu Albuquerque

 







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